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Núcleo
ESTUDOS DA LITERATURA DE MATO GROSSO WLADEMIR
DIAS-PINO
O Núcleo Estudos da Literatura de Mato Grosso Wlademir Dias-Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e devidamente reconhecido pela UNEMAT (Universidade do Estado de Mato Grosso). Grupo e Núcleo são compostos por professores do Departamento de Letras do Campus Universitário de Tangará da Serra – onde estão lotados seus líderes (Walnice Aparecida de Matos Vilalva e Dante Gatto) – e dos demais campi.
Contextualizando melhor, este grupo, em seu histórico, abarca seis projetos:
- "Literatura e história: o romance histórico e o novo romance histórico no/do Mato Grosso" (concluído), coordenado pelo Prof. Dr. Dante Gatto;
- "A Personagem feminina em três romances da literatura mato-grossense" (concluído), coordenado pela Profa. Dra. Walnice Matos Vilalva;
- "Difusão da literatura matogrossense" (concluído) também coordenado pela Profa. Dra. Walnice Matos Vilalva;
- "Identidade e literatura: a importância de periódicos em região periférica do Brasil (Parceria entre Academia Mato-Grossense de Letras e a UNEMAT)" , em andamento, envolvendo os pesquisadores:
Walnice Aparecida de Matos Vilalva (UNEMAT, Tangará da Serra), coordenadora
Rosana Rodrigues da Silva (UNEMAT, Sinop)
Madalena Aparecida Machado (UNEMAT, Pontes e Lacerda)
Dante Gatto (UNEMAT, Tangará da Serra)
Tieko Yamaguchi Miyazaki (UNESP)
Descrição
A historiografia consolida o cânone literário e vive, no Brasil, sua fase de formação com Sílvio Romero (História da Literatura Brasileira), Ronald de Carvalho (Pequena Historia) e Veríssimo; chegando à fase sólida com Candido (Formação da Literatura Brasileira), Coutinho (A Literatura no Brasil) e Bosi (História Concisa). São, por isso, tais historiografias, imprescindíveis para compreender a nossa trajetória cultural. Entretanto, elas representam imenso quadro de exclusão de estados do Norte, Centro Oeste e Sul. O fenômeno de publicações de histórias literárias locais, a partir de 1970, focaliza o conjunto de produção que ficou ausente da historiografia nacional, cujo objetivo indica a necessidade de afirmação de identidade brasileira pela pluralidade artística e cultural que representa. Para essas regiões, a imprensa periódica será o principal veículo de divulgação da literatura e crítica literária até os primeiros anos do século XX. Muitos trabalhos significativos artisticamente encontraram maior público leitor por meio de revistas e jornais. Conforme o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional, da Universidade Federal de Mato Grosso, foram editados 349 títulos de periódicos mato-grossenses entre final do século XIX e início do século XX. Eis, pois, a justificativa do nosso projeto: tais textos jazem esquecidos, mas merecem luz, historiográfica e esteticamente, como propomos. Neste sentido, este projeto apresenta a proposta de seleção e análise de textos em verso e prosa, publicados em periódicos de 1910 a 1930. Ocupar-nos-emos de contos, publicados em dois periódicos: O Mato Grosso de 1922 a 1930, e A Cruz, de 1915 a 1922; e da produção em verso, publicada pelos periódicos O Pharol, A coligação, A Juventude, A Cruz, O Debate, Opinião, Automatismo, O Colibri, O Cruzeiro, A Juventude, A Letra e O Comércio. O projeto prevê promover o escoamento dos estudos desenvolvidos por esta pesquisa por meio de divulgação em eventos científicos, nas suas diversas.
- “Para uma teoria do romance brasileiro mato-grossense”, em andamento, envolvendo os pesquisadores:
Walnice Aparecida de Matos Vilalva (UNEMAT, Tangará da Serra)
Dante Gatto (UNEMAT, Tangará da Serra), coordenador
Apoio do FAPEMAT: edital universal 002/2008.
Descrição
A hipótese que se anuncia é que no processo de formação da nossa literatura, do Estado, procurou-se sintetizar as heranças culturais anteriores, metabolizando-as antropofagicamente, que resultou em particularidades estéticas bem específicas. Tais particularidades constituem uma teoria que nos propomos a trazer à luz, na publicação de um livro, como resultado final do projeto. As prerrogativas da pós-modernidade inauguraram novas perspectivas para a abordagem do objeto literário, bem como a revisão do cânone. A adjetivação mato-grossense para o substantivo literatura ganhou relevância neste novo contexto. A grupo de pesquisa estudos da literatura de Mato Grosso , coordenado pelo Núcleo Wlademir Dias-Pino, trabalhou e trabalha, desde 2004, vários projetos em torno da literatura brasileira mato-grossense que substanciam este que ora apresentamos. A terminologia instituída por Wolfgang Kayser, romance de espaço , encontrou em Mato Grosso um ambiente fecundo que se combina às particularidades específicas no processo de criação de personagem (personagens metonímicas). Isto tudo configura uma estética do regionalismo que merece luz, inclusive, como referência profunda de uma identidade cultural. Contamos, até agora, estudados, de alguns romances da formação da nossa literatura que reforça a nossa tese e estão sendo republicados como resultado de pesquisas anteriores. A saber, entre outros: de Bianco Filho, Mirko (1927); de José de Mesquita, Piedade (1937); de Alfredo Merien Era um poaieiro (1944).
- “O homem e a terra: identidade e cultura popular no Assentamento Antonio Conselheiro”, em andamento, envolvendo os pesquisadores:
Iolanda Cristina
Gilmar Laforga
Marinês Rosa
Tieko Y. Miyazaki
Walnice Vilalva (coordenadora)
PERÍODO
24 meses (08/2008 a 08/2010)
Descrição
O século XX consagra a cidade como síntese e projeção da modernidade. A cidade passa a expressar, em grande medida, os anseios de uma nova ordem econômica e política com vistas ao progresso. Se por um lado, a cidade ascende definitivamente; por outro, o campo passa por um processo de isolamento e atraso. São vários os aspectos políticos e históricos determinantes desse novo cenário. Todavia, não vamos aqui nos debruçar sobre eles. O que nos interessa é perceber de que maneira essa nova condição do campo estabelece e revitaliza novas formas do homem se relacionar com a terra. O campo deixa de ser o espaço idílico postulado pelo século XIX, e passa a ser o lugar que se deixa . O lugar do abandono. O Brasil divide-se em Moderno e Atrasado , ou em Cidade e Campo .
O êxodo rural fenômeno marcante no processo de afirmação dos grandes centros desloca o eixo central do Brasil para as cidades; o que implica em reconhecer dois fenômenos: o esvaziamento do campo e as péssimas condições de vida nas cidades, gerando a miséria, a fome. É a partir da desilusão com o campo e o desencantamento com a vida nas cidades que nas décadas de 60 e 70, do século XX, nascem grandes movimentos silenciosos que vão traduzir em esforços de reivindicação pela terra.
O MST como movimento organizado no Rio Grande do Sul se estende a todo território brasileiro sinalizando repúdio e consciência frente ao latifúndio e se contrapondo à inércia do poder constituído em intervir nesse processo. O MST, portanto, expõe abertamente que a luta pela terra é uma luta de classe.
O Acampamento Antônio Conselheiro resulta de estratégia do movimento e se transforma em assentamento, após um longo período de luta pela desapropriação e corte da Fazenda Itapirapuã. Decorridos dez anos de sua existência, constitui um complexo mapa cultural do processo identitário brasileiro. É a partir do cotidiano dos moradores do assentamento que procuraremos em narrativas orais perceber as marcas históricas, culturais e sociais, constitutivas de uma nova etapa do homem que volta para o campo, que volta para terra. O retorno a terra, o trabalho desse homem com a terra, traz marcas e conhecimentos que estão na fronteira entre tradição e ruptura. Dessa maneira, os objetivos traçados por este projeto tentam explorar, a partir do cotidiano, a pluralidade cultural do homem do campo, visando analisar a sobrevivência de formas de conhecimento que se fazem autênticas e absolutas na relação do homem com a terra. Na mesma medida, essas narrativas concatenam valores e costumes dessa comunidade, cujo estatuto de retorno à terra, reconstitui e re-significa a relação profunda do homem com o mítico-simbólico, com o sagrado, com a exemplaridade, e sobretudo, com o desejo de sobrevivência.
Constam como ações do Núcleo:
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curso de Pós-Graduação lato-sensu em literatura Mato-Grossense, a custo bem baixo (R$ 180,00), em andamento no campus, da UNEMAT de Tangará da Serra e na Academia Mato-Grossense de Letras;
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parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Tangará da Serra. Estamos cadastrando os professores da rede municipal na plataforma lattes e oferecendo curso de extensão. A Secretaria, por sua vez, disponibilizou computadores para constituirmos um laboratório de informática para os alunos do curso de Letras;
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Revista Alere , periódico científico.
A Revista Alere recebeu subsídio para a publicação do seu primeiro número junto à FAPEMAT (Chamada FAPEMAT nº. 005/2007). Será um periódico anual, totalmente voltado aos estudos da literatura mato-grossense e questões teóricas dela recorrente, principalmente o regionalismo estético e a maneira como as demais regiões periféricas estão se resolvendo diante do cânone nacional. Foi concebida em versão on-line (http://www.literaturamt.com/pagina.htm ) e impressa.
A Revista Alere se insere no processo de sedimentação do Núcleo de pesquisa Wlademir Dias-Pino. Será um periódico anual, voltado ao estudo da literatura mato-grossense e questões teóricas dela recorrente: o regionalismo com suas particularidades estéticas e a maneira como as demais regiões periféricas estão se resolvendo diante do cânone nacional, com abertura para abordagem teórica e crítica de obras significativas neste sentido.
A Literatura sempre se prestou ao estudo sistemático. Teorizar sobre algo é transformá-lo num objeto problemático, passível de estudo metódico e analítico. Os mais antigos escritos gregos já trazem observações acerca do objeto literatura.
A nossa preocupação com a literatura local tem justificativa. As prerrogativas do pós-modernismo criaram condições propícias para se mudar o foco de uma pretensa unidade nacional para aspectos das particularidades regional, muito além do meramente folclórico. A recusa do essencialismo nacionalista não suporia a adesão de uma prática cosmopolita, mas o repúdio de uma idéia de Estado-nação e de literatura de fundo hegeliano que vê as novas literaturas como representantes de estágios menos maduros das literaturas canônicas. Importante ainda lembrar que o caráter social da literatura, surgido com a hegemonia burguesa (autor/imprensa/leitor), implicou a preponderância dos grandes centros de produção e distribuição. Neste sentido, faz-se necessário um resgate intelectual e artístico no caminho de superar nossa condição de periferia. A realidade é que não conhecemos as nossas produções literárias que se perderam no ostracismo da primeira edição; não a divulgamos por meio da crítica; não fazemos leitores e não nos inserimos no mercado editorial que é o meio de canonização. As condições atuais se fazem propícias para tanto, tendo em vista a arrancada econômica do Estado, considerando a hegemonia da estrutura econômica sob a superestrutura ideológica.
Talvez seja interessante observar que este projeto se insere numa proposta mais ampla de resgate e reavaliação do cânone iniciado por outras regiões brasileiras, pelas historiografias regionais, a saber, o nordeste e o sul preponderantemente.
O periódico Alere pretende alimentar e retroalimentar o sistema, na medida que haverá de suscitar novas possibilidade de investigações na comunidade científica. O verbo alere apresenta duas acepções: a primeira corresponde a alimentar , nutrir ; a segunda a fazer crescer , desenvolver , animar , fomentar (no sentido próprio e figurado). Ambas dizem bem das nossas intenções.
Veja o sumário do primeiro número:
APRESENTAÇÃO
IDENTIDADE E NACIONALISMO: CAMINHOS DA HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA BRASILEIRA
Walnice Matos Vilalva
TACURU, BATEIA, PEJADA
Sandra Regina Franciscatto Bertoldo
Manoel Mourivaldo Santiago Almeida
CONTOS NA MARGEM – EXPRESSÃO DA CONTEMPORANEIDADE EM MATO GROSSO
Gilvone Furtado Miguel
O MODERNISMO EM MATO GROSSO: O DESENCONTRO DE VOZES E A VOZ ENCONTRADA DE LOBIVAR MATOS
Rosana Rodrigues da Silva
VIOLEIROS CEGOS: TIRÉSIAS NAS CERIMÔNIAS DO ESQUECIMENTO
Everton Almeida Barbosa
A REPRESENTAÇÃO DO HOMEM NO ÚLTIMO HORIZONTE br> Madalena Aparecida Machado
MATRICHÃ DO TELES PIRES , UM ROMANCE HISTÓRICO DE MATO GROSSO
Dante Gatto
Regimento Interno
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Fale conosco:
Núcleo Wlademir Dias-Pino: (65) 3329.3320, ramal 233,
Dante Gatto: (65) 3326.7936, (65) 8111.8439
Walnice Vilalva: (65) 8436.7069
Coordenação:
Walnice Matos Vilalva: wvilalva@terra.com.br ;
Dante Gatto: gattod@terra.com.br
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