O projeto de pesquisa sobre as contribuições da enfermagem clínica em hantavírus desenvolvido no campus da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) em Tangará da Serra recebeu monção honrosa como melhor pesquisa no III Simpósio Avançado em Virologia Hermann Schatzmayr, evento internacional que reúne os principais avanços tecnológicos em virologia humana. O evento aconteceu nos dias 12 e 13 de maio de 2015, na Fundação Oswaldo Cruz.

A pesquisa entitulada “Polo de pesquisa clínica em hantavírus: contribuições da enfermagem” é coordenada pela professora Ana Cláudia Pereira Terças e é desenvolvida em parceria pela Unemat, Fundação Oswaldo Cruz, Universidade Federal de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Saúde, Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena – Cuiabá e prefeituras de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis.

O artigo premiado apresenta resultados parciais de sorologia (ELISA) para anticorpos do tipo IgG realizados no laboratório de hantavirose e rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz, onde foram testadas 201 amostras de indígenas, o que representa 67% da população total.

A pesquisa constatou uma soroprevalência de 11%, isso quer dizer que existe a circulação de hantavírus nessa comunidade indígena Paresi, já que essa porcentagem da população possui anticorpos de memória para essa doença.

A professora Ana Claudia Pereira Terças, da Unemat, explica que esse é o primeiro de outros testes que serão feitos, mesmo assim é possível afirmar que a hantavirose está presente entre os indígenas da etnia Paresi. “Com essa realidade confirmada, sugerimos ações educativas adequadas à comunidade para evitar que a doença ocorra e cause óbitos”.

Outros agravos então em estudos, e muitos outros resultados ainda serão divulgados. A coordenadora da pesquisa destaca que foram realizadas coletas de roedores silvestres dentro de área indígena e nas comunidades rurais de Tangará da Serra.

“São informações extremamente valiosas uma vez que conseguiremos promover a qualidade de vida de uma comunidade vulnerável com a dos Haliti-Paresí, além de termos a possibilidade de compreender todos os aspectos epidemiológicos e virológicos que envolvem as doenças infecciosas em nossa região, podemos ainda inserir nossos alunos em pesquisa clínica e despertando a paixão pela pesquisa em saúde fortalecendo o desenvolvimento científico de Mato Grosso” enfatizou Ana Cláudia.

Entre os integrantes da pesquisa, que teve início em 2014, estão acadêmicos bolsistas e voluntários, incluindo Leonir Evandro Zenazokenae (indígena da etnia Paresí e acadêmico do 7º semestre do curso de enfermagem em Tangará da Serra) e as bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Probic), Ingrid Gomes de Souza e Ariadne Cristinne de Moura, além de docentes da Unemat e membros da Vigilância epidemiológica.

Os acadêmicos da Unemat e integrantes da pesquisa estão construindo materiais educativos como cartilhas e folders que serão entregues tanto em português, como na língua Haliti-Paresi a fim de contribuir com a prevenção da doença.